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Max Weber: o Tipo Ideal


Por Jeniffer Modenuti e Marcela Arai

No pensamento weberiano o cientista deve remeter ao passado, utilizando do raciocínio lógico para que possa montar as conexões de momentos que se encadearam desde então, dando forma ao presente (conexões de causalidade), e daí partir para as perspectivas futuras.

O pesquisador necessita, então, levantar hipótese, na qual o guiará na análise de sua pesquisa. Essa hipótese é uma interpretação simplificada da realidade (mostrando seu caráter utópico), um tipo puro, um tipo ideal. 

Diante de uma realidade infinita, elaborar um tipo ideal permite escolher certas características do objeto (aquilo que o cientista está estudando) que são relacionadas de modo racional, mas que sempre acentuam unilateralmente os traços considerados mais importantes para a explicação. 

Ou seja, os tipos ideais serão os conceitos sobre um fenômeno a partir de características gerais, cuidando das definições, de maneira que ao classificá-los (conceitos), estejam relacionados uns com os outros.

O tipo ideal permitirá a comparação entre o modelo que o cientista dispõe e a realidade empírica desse objeto. Essa construção possibilita uma maior aproximação do fenômeno histórico com o tipo teórico, dispondo-se com maior clareza de seu termo.

A característica principal do tipo ideal é não existir na realidade, mas servir de modelo para a análise de casos concretos, realmente existentes.


Para compreender uma ação através do método científico, o estudo sociológico usa de TIPOS PUROS ou IDEAIS, vazios de realidade concreta ou estranhos ao mundo, ou seja, abstratos, conceituais. Não é um objeto definido da realidade nem uma hipótese - ele auxilia na descrição e explicação do objeto.

A criação de tipos ideais não é um fim em si mesmo. O único propósito de construí-los é para facilitar a análise de questões empíricas. Funciona como um instrumento para a ordenação da realidade, onde o cientista analisa os fenômenos e formações sociais podendo então conceituá-los e identificar suas manifestações.

Tal instrumento auxilia o cientista na construção de uma neutralidade relativa, uma vez que o pesquisador também possui pré-conceitos e valores sobre a realidade. Utilizando-se dos tipos ideais o cientista teria em mãos um instrumento que serviria como modelo de comparação para com o objeto estudado, podendo assim, alcançar maior objetividade em sua análise.

Observe a imagem a seguir:


Em 2014, psicólogos experimentais da Universidade de Glasgow, na Escócia, utilizaram um software de comparação de rostos, na busca de definir os traços faciais mais tradicionais de cada etnia. Milhares de mulheres de 41 países diferentes tiraram as fotos que depois foram sobrepostas. O programava combinava os traços comuns, buscando criar uma média e elaborar um modelo ideal. Portanto, nenhum dos rostos que você vê acima existem de fato. Podemos considerá-los exemplos de tipos ideias

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