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Ao mestre, sem carinho

Neste Dia do Professor, apenas mais uma reflexão
Passam 4 anos, 3 mil horas, noites sem dormir e dias sem fim de dedicação para estar apto à nobre profissão de professor. Porém, as perspectivas para o futuro tornam-se cada vez mais obscuras. O Brasil, que tanto perde todos os dias, ganha, ironicamente, em um terrível índice: é o número 1 em violência contra o professor.

Uma imagem, que percorreu o Brasil em agosto, mostra o rosto sangrando, misturado às lágrimas que corriam dos olhos inchados da professora catarinense Marcia Friggi, 51, socada na face por um aluno. Esse foi só um, entre tantos casos que machucam o corpo e mutilam a alma dos profissionais da educação.

A violência chega ao professor de variadas formas. Quase a metade dos profissionais de São Paulo declararam ter sofrido violência, como apontou a pesquisa de 2015, feita pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp). E cada vez mais se reduz a quantidade de licenciados que possuem a perspectiva de ser um profissional do ensino, de acordo com relatório emitido pelos pesquisadores da PUC/PR.

Ofensas, agressões, ameaças, vandalismos, perseguições. Essa violência é o reflexo de uma estrutura social falha: o abandono das escolas, a omissão do governo, o descaso da família, a impunidade da justiça, as desigualdades profundas que resultam de um país opulento em concentração de renda, poder e riquezas. 

As salas lotam e amontoam jovens que são vistos pelo sistema como números, e não como seres humanos que precisam e querem ter respeito. Cada vez se cobra dos professores e da escola a função de formar integralmente o indivíduo enquanto um cidadão. Quando o cidadão falha, a culpa recai sobre a escola. Os dedos se apontam para os professores. E a violência corre tão sem fim quanto os dias.

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