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Imprensa da hegemonia

Jeniffer Modenuti

A sociedade brasileira é desigual e racista. Jornalistas da Cojira (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial) atuam no norte do Paraná para promover um jornalismo mais igualitário.

A maioria da população brasileira é negra, porém não é encontrada em todos os patamares sociais. Segundo dados do IBGE, de 2015, (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 54% da população brasileira se considera negra, porém, de acordo com pesquisa do Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) de 2013 somente 23% dos jornalistas se autodeclaram negros. Além desse estudo, em 2016 o GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas) da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) investigou o perfil dos jornalistas nos maiores jornais brasileiros, e os dados coletados indicaram que os negros colunistas representavam entre 1% e 9%.

No jornalismo prevalece a hegemonia branca. O negro não tem o mesmo espaço nas redações que o branco, apontou Danilo Marconi, do Sindijor/PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná) e membro da Cojira, em coletiva aos estudantes de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina. “Quantos foram os negros que vocês viram nos jornais de Londrina?” questionou o sindicalista. Em sua fala ele destaca o objetivo da Cojira em lutar contra a realidade de discriminação solidificada no jornalismo.

O resultado do racismo consolidado na sociedade brasileira também chega à imprensa. Os jornais são produzidos por brancos para um público branco. Ideologias transparecem nos textos escritos, nas manchetes, nas reportagens selecionadas e nas imagens escolhidas. O posicionamento da supremacia da branquitude exclui e ignora o negro, o pobre e o periférico.

Entre as ações da comissão, a Cojira realizou uma pesquisa no início de 2016 com objetivo de investigar traços da identidade do profissional de jornalismo em Londrina, na finalidade de pensar estratégias de atuação para a Comissão. Segundo Marconi, a pesquisa confirmou os dados da desigualdade.

O jornalista identificou dois pontos que precisam ser pensados nas atuações futuras da Cojira: a questão da identidade racial e a representação da comunidade negra nos jornais da cidade. 

É, para o sindicalista, fundamental valorizar o reconhecimento do negro enquanto tal e da sociedade para com o jornalista negro. Muitos talentos são desperdiçados por preconceito racial. Dessa forma é possível traçar um novo perfil das redações londrinenses.

A questão da representação da comunidade negra nos jornais não fica restrita aos jornalistas ocuparem cargos nas redações. O reflexo disso atinge a sociedade como um todo, pois as informações produzidas serão consumidas pelo público, onde este também estará representando. 

Em relação às expectativas futuras para a Cojira e pela luta da igualdade racial em Londrina, Danilo Marconi aponta que “tem muita coisa para acontecer ainda”. Ele convida os jornalistas a conhecerem a comissão, que é aberta a todos que acreditem na luta pela igualdade.

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