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Indústria Cultural: a teoria crítica de Adorno e Horkheimer

O QUE PENSA THEODOR ADORNO E MAX HORKHEIMER?

Por Ana Flavia Maciel

Adorno e Horkheimer
Theodor Adorno (1903 – 1969) e Max Horkheimer (1895 – 1973) foram membros de um grupo de filósofos conhecidos com a Escola de Frankfurt. Ambos criaram o termo Indústria Cultural e analisaram a atuação dos meios de comunicação de massa (MCM) na sociedade. É importante ressaltar que na sociedade capitalista, a cultura se torna uma mercadoria. Mas como a cultura pode se transformar em mercadoria? Vamos entender.
Adorno
De acordo com T. Adorno, a indústria cultural “impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e decidir conscientemente” (ADORNO, in: COHN, 1987, p. 295). E partindo dessa frase podemos iniciar a compreensão na perspectiva desses dois autores.

Logo nessa época de mudanças na sociedade, a arte deixa de estar referida somente aos nobres ou à decoração de igrejas, e passa a se multiplicar os lugares destinados à apreciação da arte: não só os teatros, mas os museus e galerias culturais são destinados para a exposição da arte. Para que essa expansão da arte fosse possível, os MCM (analisados por eles são o cinema, o rádio e a televisão) tiveram uma função importante.

Horkheimer
Segundo T. Adorno e M. Horkheimer, os MCM funcionavam como uma indústria de produtos culturais, com a produção em larga escala transmitida pelos meios de comunicação que tinham por objetivo fins lucrativo, vendendo imagens do mundo e fazendo propaganda deste mundo tal qual ele é e que assim permaneça. Eles vêem a indústria cultural como qualquer outra indústria, organizada em função de um público-massa, abstrato e homogeneizado, e baseado nos princípios do lucro. Nota-se que este é um fenômeno característico do sistema capitalista, pois o que até a Idade Média a escrita e a leitura era para o clero e a nobreza, no sistema capitalista isso mudou, o que fez com que a massa passasse a ter acesso a leitura e a escrita.
Porém, segundo T. Adorno e M. Horkheimer, essa produção em série não democratizou a arte, mas banalizou-a, descaracterizou-a, fazendo com que o público perdesse o senso crítico e se tornasse um consumidor passivo de todas as mercadorias anunciadas pelo MCM. Por exemplo, o fato de uma pessoa assobiar, durante o seu trabalho, o trecho de uma ópera que ouviu no rádio não significaria que ele estaria compreendendo a profundidade daquela obra de arte, mas que apenas ele a memorizou.
T. Adorno e M. Horkheimer deixam bastante claro que indústria cultural não é arte, pois, a indústria cultural está vinculada principalmente aos meios técnicos de produção e difusão de cultura padronizada. A indústria cultural passa a oferecer produtos, ou seja, mercadorias culturais, que promovem uma satisfação compensatória e efêmera, que agrada aos indivíduos, contribuindo para a perda da autonomia do indivíduo, já que expropria dele a iniciativa de articulação crítica das impressões que recebe. Eis o porquê de como a cultura se transforma em mercadoria.
Mas há muitos críticos que consideram a visão de T. Adorno e M. Horkheimer sobre a indústria cultural conservadora. Segundo os críticos, a posição de T. Adorno e M. Horkheimer, ao dizerem que a indústria cultural banalizaria a cultura erudita (o qual eles dominavam de “alta cultura”). E, não apenas isso, seria também uma depreciação da cultura popular que, segundo eles, ficaria ainda mais simplificada no âmbito da indústria cultural, e a própria capacidade crítica do povo, considerado mero consumidor de mercadorias culturais produzidas industrialmente.

Nesse processo, aparece uma clara distinção entre cultura erudita, cultura popular e cultura de massa. O que são elas?

Resumidamente, podemos dizer que a cultura erudita é aquela considerada superior, normalmente apreciada por um público com maior acúmulo de capital e seu acesso é restrito a quem possui o necessário para usufruir dela. A cultura erudita está muitas vezes ligada a museus e obras de arte, óperas e espetáculos de teatro com preços elevados.
Em seguida, a cultura popular é qualquer estilo musical e de dança, crença, literatura, costumes, artesanatos e outras formas de expressão que é transmitida por um povo, por gerações e geralmente de forma oral. Como por exemplo a literatura de cordel dos nordestinos, ou a culinária do povo baiano, são algumas das formas de cultura popular que resiste ao tempo.
Essa cultura não é produzida após muitos estudos, mas é aprendida de forma simples, em casa ou com a convivência da pessoa nesse meio.
E, ao dizer sobre cultura de massa, o termo remete a sociedade moderna como uma sociedade de massas, de multidões padronizadas e homogêneas, ou no máximo compartimentalizadas em setores com características semelhantes. Ela é veiculada nos meios de comunicação de massa (como a TV, rádio, Internet, jornal, revista, entre outros). Entretanto, é preciso entender que massa não é uma definição de classe social, e sim uma forma de se referir a maioria da população. Essa cultura é produto da indústria cultural, feita para ser comercializada.

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REFERÊNCIAS:
CAMPOS, Maria Teresa Cardoso. Telenovela brasileira e Indústria Cultural. In: <http://www.portcom.intercom.org.br/revistas/index.php/revistaintercom/article/viewFile/446/415>. Acesso em: 22/11/2015.
COELHO, T. O que é indústria cultural. São Paulo: Brasiliense, 1988
NÓBREGA, J. F. Introdução à Sociologia. Rio de Janeiro, 1965.
OLIVEIRA, P. S. Introdução à Sociologia. Ática. São Paulo, 2001.
TOMAZI, N. D. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 1993Apostila Sigma Extensivo, 2010.
Indústria Cultural. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/filosofia/industria-cultural.htm>. Acesso em 11/11/2015.
Indústria Cultural e Manutenção do Poder. Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/home/2011/02/industria-cultural-e-manutencao-do-poder/>. Acesso em 11/11/2015.

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