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O Movimento Operário no Século XX

Os movimentos operários, apoiados na organização partidária e sindical, avançaram sensivelmente no final do século XIX e início do século XX, tanto com relação a sua organização quanto com relação às conquistas sociais, os sindicatos e partidos operários na Europa, entre os quais o Partido Socialdemocrata alemão, o Partido Socialista francês, o Trabalhista inglês, o Partido Operário Socialdemocrata russo, ampliavam cada vez mais seus espaços de participação na sociedade capitalista, ameaçando a dominação burguesa.
A Revolução Russa de 1917, com a tomada do Estado pelo proletariado, foi como a pisca alerta para o mundo capitalista. O movimento operário tornara-se uma real ameaça à hegemonia capitalista no mundo. E essa ameaça veio a somar-se a crise de superprodução de 1929, que abalou toda a economia capitalista mundial, mostrando a inviabilidade de a economia ser regida unicamente pelo trabalho.
A resposta burguesa ao avanço operário se deu com o Estado do Bem-Estar Social, sobretudo a partir dos anos 40. Se, por um lado, o Estado do Bem-Estar Social garantiu a acumulação capitalista a partir de um planejamento econômico centralizado, evitando crises de superprodução, por outro lado, através de políticas sociais, conteve o avanço operário ao atender suas necessidades básicas, tais como saúde, trabalho, habitação, transporte, etc.
O Estado do Bem-Estar Social veio, assim, desestimular sensivelmente as mobilizações operárias que, prioritariamente, visavam alcançar o objetivo da tomada do poder do Estado, e fazer que o movimento operário, diante dos Parlamentos enfraquecidos pela concentração de poderes nos Executivos, centrasse suas lutas no campo sindical, cujo limite era determinado pelo atendimento ou não de suas reivindicações trabalhistas.

O esfriamento do movimento operário, em meados do século XX, foi acentuado por outros dois acontecimentos importantes: a emergência do fascismo em países como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, onde o movimento foi duramente reprimido e suas lideranças perseguidas, levando-o à clandestinidade e à desmobilização; outro acontecimento foi o fracasso do processo revolucionário na União Soviética, cuja incapacidade de construir uma sociedade e qualidade de vida colocou em questão a orientação teórica do movimento, bem como seu projeto político.


Reprodução para fins didáticos.

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