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Gilberto Freyre

GILBERTO FREYRE E O PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO
Por Jeniffer Modenuti

Sociólogo, antropólogo, historiador e escritor, Gilberto de Mello Freyre nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 15 de março de 1900, filho do professor e juiz de direito Alfredo Freyre e de Francisca de Mello Freyre.
Em 1918, viajou para os Estados Unidos, onde fez seus estudos universitários: bacharelado em Artes Liberais, com especialização em Ciências Políticas e Sociais, na Universidade de Baylor e mestrado e doutorado em Ciências Políticas, Jurídicas e Sociais, na Universidade de Columbia, onde defendeu a tese Vida social no Brasil em meados do século XIX.

Com o livro "Casa-Grande & Senzala", publicado em 1933, Gilberto Freyre revolucionou a historiografia. Ao invés do registro cronológico de guerras e reinados, ele passou a estudar o cotidiano por meio da história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados, anúncios de jornais e outras fontes até então ignoradas. Usou também seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar fatos de forma inovadora.

Obra de grande repercussão Casa-grande & senzala teve continuadade em dois outros livros Sobrados e mocambos e Ordem e progresso. Freyre entendia o nacionalismo como fusão de raças, regiões e culturas e grupos sociais possibilitada pelas características do colonialismo no Brasil. Destacava, em especial, o papel do negro e do mestiço na adaptação da cultura européia aos trópicos e na formação da identidade cultural brasileira. Freyre acreditava ainda que a sociologia e a antropologia podiam auxiliar a administração do país, possibilitando a articulação sociocultural.



A SOCIOLOGIA POLÍTICA DE GILBERTO FREYRE

Quando Gilberto Freyre (1900-1987), primeiro cientista social brasileiro, pensa a formação do Estado e política no Brasil, ele discute embates de valores, relações de domínio e de poder. Para Freyre é impossível estudar o Estado brasileiro sem estudar as relações entre passado e presente, o que de fato muda e se transforma e o que se reproduz seguidamente dentro de uma determinada lógica da realidade brasileira.
Freyre pressupõe que o Estado brasileiro tem um padrão cultural de organização democrática. De acordo com Rezende (1996) fatores culturais da formação da identidade nacional, como a questão racial, a estrutura familiar, o cotidiano, hábitos e costumes dos indivíduos são elementos que preexistem a uma organização política do Brasil, sendo assim a democracia está intimamente ligada com a identidade nacional miscigenada e com a autoridade que se baseia no senso de dever, negando autoritarismos. Dessa forma, ao se fazer política, o brasileiro aceita a autoridade, mas rejeita os autoritarismos, por isso aqueles que estão na política terão sempre traços afáveis, amigáveis. Logo, Freyre irá analisar a democracia à luz das relações de domínio e cultura nacional.
O padrão de organização social é, segundo Freyre, definidor do modo de fazer política, somente sendo possível encontrar explicações para os fenômenos políticos se analisar a formação racial, cultural e social dos indivíduos, das famílias, da maneira como se processam as relações sociais no âmbito privado.


DEMOCRACIA RACIAL: Grande contribuição de Freyre foi sua concepção a respeito da miscigenação brasileira. Segundo este historiador, antropólogo e sociólogo, apresenta-se na sociedade brasileira um equilíbrio de antagonismos, onde nenhuma raça subordina-se a outra, onde nenhum homem deve ser excluído por questões étnicas ou sociais, o que caracteriza nosso país como dotado de uma democracia racial. As diferenças são equilibradas, assim como as formas de domínio social correspondem aos aspectos culturais e particulares da formação social brasileira, condenando autoritarismos e defendendo o progresso social.





APRENDENDO ALGUNS CONCEITOS...

Gilberto Freyre abordou muitas vezes em suas discussões os conceitos de Patriarcalismo e Patrimonialismo, presentes na organização política e social do Brasil. Veja abaixo um pouco mais sobre eles:


O termo Patriarcalismo é oriundo de Patriarcado. No patriarcalismo o patriarca e chefe da família personificava a lei e a regra, e ao mesmo tempo tutelava a vida de seus agregados, funcionários, escravos, e toda sua família. A forma de domínio se reproduzia na forma de favor. Esta relação mais tarde seria levada para o controle eleitoral, uma vez que a “lealdade” ao patriarca deveria ser expressa no apoio a seus candidatos ou à sua própria candidatura. Votar contra era se mostrar contrário a esta associação moral que era proposta pelo senhor de terras, o patriarca.



O Patrimonialismo corresponde a um exercício legítimo de dominação política, onde o caráter tradicional da dominação prevalece sobre a racionalidade burocrática. Em nossa organização política brasileira este termo é compreendido como uma prática social que não efetua a fundamental diferença entre a esfera pública e a privada na vida política. A esfera pública é tratada como uma extensão da vida privada dos dirigentes, estabelecendo assim práticas corruptas, nepotistas, trocas de favores abertamente aceitas.


Referências:
FREYRE, G. Casa Grande e Senzala. São Paulo: Global. 2003.
LIEDKE FILHO, E. D. A Sociologia no Brasil: história, teorias e desafios. Sociologias, Porto Alegre, ano 7, nº 14, jul/dez 2005, p. 376-437.
REZENDE, M.J. Democracia em Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Plural; Sociologia, USP, São Paulo. 3: 14-48. 1 sem 1996. 

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