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Antônio Cândido

SOCIOLOGIA BRASILEIRA DE ANTÔNIO CÂNDIDO
Por Jeniffer Modenuti

Antonio Cândido de Mello e Souza (Rio de Janeiro RJ 1918). Escritor, crítico literário, sociólogo e professor. 
Em 1942 torna-se docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências - FFLC/USP como assistente de Sociologia do professor Fernando de Azevedo. É aprovado em concurso de literatura brasileira com o título de livre-docente em 1945, e obtém a titulação de doutor em ciências sociais, em 1954, com a tese Os Parceiros do Rio Bonito, publicada em 1964. Suas principais contribuições ao pensamento social brasileiro estão refletidos em interpretações e análises da literatura brasileira, da qual foi por muitos anos professor na USP. Com outros intelectuais, como Sérgio Buarque de Holanda, participa da fundação do Partido dos Trabalhadores - PT, em 1980.

Antônio Cândido estabelece um diálogo profundo com os acontecimentos dos anos de 1920 e 1930. Havia o interesse de que o intelectual pudesse atuar na agenda pública, em um saber voltado à transformação/intervenção social.
Cândido, preocupava-se assim como seus precursores e contemporâneos pensadores sociais brasileiros em compreender as singularidades e particularidades da formação política, social e cultural de nosso país, para então possibilitar mecanismos de intervenção social. Os anos de 1930 carregam uma carga de fé na posição do intelectual e das ciências sociais como portadora de um espírito crítico capaz de intervir na organização e políticas públicas brasileiras.
Para Cândido houve um pensamento crítico e reflexivo importante para pensar e atuar na agenda política do Brasil antes mesmo dos anos de 1930. Porém isso era muito difícil se efetivar, pois eram derrubados pelas políticas autoritárias no país. Todas as denúncias dos autoritarismos não eram admitidas, e isso se repete no Estado Novo e Ditadura Militar, não só no Brasil como na América Latina como um todo. Diante disso Cândido também se preocupava com a necessidade de luta contra movimentos reacionários ou conservadores e posicionava-se a favor dos movimentos que pediam mudança e melhorias para a sociedade.
Uma das questões mais importantes em Antônio Cândido é a relevância do pensamento no debate político. A atuação intervencionista do intelectual em atuar na agenda pública, construindo um saber voltado à transformação/intervenção social estiveram fortemente presentes em seu pensamento Isso era evidentemente para considerar que a Sociologia e as Ciências sociais tinham um importante papel político nas discussões do Brasil.
Ele destaca que não podemos simplesmente supor que há um movimento de ideias políticas somente a partir da institucionalização da Sociologia, por isso ele realiza uma análise histórica, voltando séculos anteriores para mostrar que há uma essência política que questionam os processos de colonização, os modos de estabelecimento do Estado brasileiro enquanto império a partir de 1822, os movimentos políticos que ocorreram no Brasil durante os séculos XVIII, XIX e XX. Tais movimentos de pensamentos e ideias nos permite compreender uma crítica à escravidão, ao abandono do negro e do índio à própria sorte, também as críticas ou defesas à república que se estabelecem em 1889, as críticas políticas do início do século XX, assim como as defesas de processos de formação cultural autônoma, constante nos discursos dos modernistas de 1922.
Este sociólogo oferece ao pensamento social brasileiro grande contribuição em suas análises literárias. Cândido compreende como fundamental a análise das produções literárias, artísticas e jornalísticas de cada momento histórico para a compreensão dos movimentos das ideias sobre política, sobre o Estado e a democracia brasileiro e as demandas por mudanças políticas.
Antônio Cândido destaca que a literatura é uma fonte privilegiada para entender o pensamento político do Brasil, assim como a produção jornalística, pois está bastante próxima aos acontecimentos, assim como também retrata as repressões políticas aos pensamentos de contestação e mudança.



Para Saber Mais: O Intelectual Orgânico
O conceito vem de Antonio Gramsci  (Ales, 22 de janeiro de 1891 — Roma, 27 de abril de 1937) foi um filósofo, político, cientista político, comunista e antifascista italiano.
Para Gramsci o intelectual orgânico é “o que age, que atua, participa,  ensina, organiza e conduz, enfim, se imiscui e ajuda na construção de uma nova cultura, de uma nova visão do mundo, de uma nova hegemonia”. Para ele, esse intelectual se contrapõe àquele que fica preso às teorias, mas não se aproxima da prática. Gramsci não apenas defendeu o engajamento do intelectual, mas formulou um novo modelo, construindo um método, que tirou os intelectuais “de trás da cortina e os colocou no proscênio da ação política. Gramsci deu ao intelectual uma outra dimensão, constituiu-o em objeto de análise e de pesquisa, fazendo com que, desde então, não se separe pensamento e ação”. Um só funciona com o outro.


Referência:
REZENDE, M.J. Antônio Cândido e a transição política a partir de 1945: ação, conhecimento e mudança social. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, EDUFSC, n. 40, p. 443-468, Outubro de 2006.

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